Desapegar-se é uma tarefa difícil
Ao aceitar a vulnerabilidade da vida tornamo-nos menos rígidos e mais fluidos.
“A vulnerabilidade é a capacidade de não buscar o controle, permitindo que a vida passe por nós, sem querer retê-la ou possui-la.
Toda a vez que a vida é represada, o que se acumula é experimentado pelo desespero.
Quem controla, desespera: não tem o que esperar porque todas as surpresas, magias e mistérios empalidecem.
As possibilidades e os erros purificam a vida, oxigenando-a para que não se sufoque e não se inviabilize”
Nilton Bonder
“O apego é a razão pela qual temos dificuldade em lidar positivamente com as mudanças. Só o facto de pensar em desapegar de algo, deixa-nos inquietos.
Quando temos muito apego ficamos sempre agitados. Não conseguimos relaxar: sentimos medo e dúvidas.
A questão não é definir o que devemos deixar de fazer, mas sim como lidar com a nossa mente apegada.”
Lama Gangchen
Amamos melhor uma pessoa quando não temos apego por ela, isto é, quando não projectamos nela exageradamente toda a nossa felicidade.
O apego nesse sentido, é uma atitude mental que surge ao atribuirmos valores irreais a uma pessoa, coisa ou situação.
O apego surge na nossa mente quando não nos queremos responsabilizar pelos nossos estados mentais, afectivos e emocionais.
Portanto ter apego é uma forma infantil de amar. Amar com apego, faz-nos sentir dependentes dos outros e das situações: não sabemos mais sustentarmo-nos sozinhos, pois perdemos o prazer de conhecer o nosso próprio potencial de auto cura, e isso enfraquece-nos.
Na maior parte do tempo, não nos damos conta do quanto estamos apegados a algo ou alguém. Precisamos criar uma certa distância do objecto para podermos observar a natureza exagerada do nosso apego. No entanto, como esse afastamento é doloroso, preferimos não fazê-lo. Uma vez que o apego está associado a uma experiência prazerosa, facilmente nos convencemos de que ela é um afecto positivo e raramente somos capazes de avaliar o quanto ele prejudica a nós mesmos e aos nossos relacionamentos.
Ao contrário do que acontece com o que nos provoca raiva ou irritação, ninguém quer se “livrar” daquilo a que se sente apegado. Infelizmente na maior parte das vezes, só lidamos com o desapego quando ele é inevitável e imposto pelas circunstâncias, como a morte ou o abandono.
O melhor é aprendermos a despertar o amor próprio e a amar com desapego.
By Bel César in Livro das Emoções
Editora Gaia









