quinta-feira, julho 16, 2020

Nem vegano nem omnívoro



Nem vegano nem omnívoro, para ser respeitoso com o planeta é preciso comer como um "climatarian"
Mergulhamos no termo que resume as boas condutas alimentares incentivadas há algumas semanas pelas Nações Unidas. O objetivo destes costumes é frear a emergência climática.
Quando a cineasta galega Xiana do Teixeiro faz as compras, seu critério ao encher a sacola tem pouco a ver com o preço ou a marca. Busca alimentos sazonais, que sejam produzidos nos arredores e de modo responsável. Aposta na venda a granel e em marcas que incentivem a reutilização de embalagens. Não se aproxima dos plásticos descartáveis. "A saúde do planeta é a minha primeira preocupação quando se trata de consumo", diz, em Cabanas, uma pequena cidade da Corunha localizada na foz do Pontedeume. Sua dieta não é saudável só para ela, também é para o restante do ecossistema e, sem saber, ela faz parte do grupo de pessoas conhecidas como climatolarians. É assim que são chamados os que "escolhem o que comer de acordo com o que for menos nocivo ao meio ambiente", de acordo com a definição do britânico Cambridge Dictionary.
O jornal The New York Times incluiu o conceito em sua lista de novas palavras relacionadas à alimentação em 2015, embora tenha sido mencionada pela primeira vez em 2009. Hoje é um modelo de comportamento urgente: "A mudança na dieta pode trazer benefícios ambientais de grande escala que não são alcançáveis unicamente elos produtores", sentenciou um relatório das Nações Unidas há algumas semanas. Mais atitudes que te transformam em um climatarian? Tentar calcular a pegada de carbono de cada produto que chega às suas mãos, evitar o desperdício de alimentos e limitar o consumo de carne (não é necessário restringi-lo em 100%).
Xiana descobriu o que era carne aos cinco anos, no dia em que lhe serviram em um prato um coelho que tinha visto crescer. Ela o adorava e o encontrou cortado em pedaços à sua frente, pronto para que o comesse. Era uma menina e podia fazer pouco mais do que espernear, mas foi retirando os produtos de origem animal de sua dieta até que, aos 13 anos, se tornou oficialmente vegana. Como ela, os vegetarianos e os que se adaptam a suas múltiplas variedades, incluindo os flexitarianos, entram em geral no conceito de dieta climática. No entanto, climatarians e veganos não são sinônimos porque consumir somente frutas, legumes e verduras não garante o respeito ao meio ambiente se cada gomo de tangerina que se come estiver envolto em plástico: a degradação desses resíduos também contribui para as mudanças climáticas, segundo um estudo da Universidade do Havaí publicado na revista PloS ONE.
Também não vale consumir tomates de outra parte do mundo, "por causa da emissão de gases do efeito estufa no transporte", como lembra David Yáñez, pesquisador da Estação Experimental de Zaidín (EEZ-CSIC). Ainda mais importante é conhecer a época dos alimentos, "porque o que é produzido fora dela requer mais energia".
Todas essas decisões podem ser tomadas por um omnívoro, assim como comer espécies capturadas por meio de pesca sustentável (pergunte ao vendedor) ou pequenas porções de carne de frango e de porco, provenientes de uma criação extensiva. Não haverá vegano que critique quem faz isso.

Então, posso ‘empanturrar-me’ de comer carne?
Não é nada isso. Um dos alimentos que mais contribuem para as mudanças climáticas é a carne, especialmente a bovina. Um estudo do Centro para a Alimentação e Nutrição Barilla indica que a produção de um quilo de carne resulta em mais de 31 quilos de dióxido de carbono equivalente (a soma de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso). Os dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) também são reveladores.
A pecuária — especialmente a industrial— é responsável por 14,5% dos gases do efeito estufa. Polui mais que todos os carros, trens, navios e aviões que se deslocam pelo mundo. Também gera 92% das emissões de amônia — o que acidifica o solo, diminuindo sua qualidade—, gasta em um ano a mesma quantidade de água de todas as famílias espanholas em 20 anos e suas rações contribuem para o desmatamento. "Temos que agir agora", diz Luis Ferreririm, responsável pelo programa e a campanha sobre carnes e agricultura da Greenpeace, que está pedindo uma moratória para novos projetos de pecuária industrial e a redução do rebanho.
Além disso, fala de uma "redução drástica" no consumo de carne e pede que se desvie o consumo de carne bovina para outras opções de carne: embora os estudos sejam díspares em seus números, coincidem em que a produção de carne suína polui cerca de cinco vezes menos do que a de carne bovina, e a de frango, até oito vezes menos. "Não se trata de parar de comer presunto, apenas de comer menos", ressalta Shay Eliaz, chefe do programa O Futuro da Comida, na consultoria Deloitte, durante uma conferência realizada em Málaga em junho.

Uma perspectiva ideológica
"A questão-chave está no consumismo", diz Julia Wärnberg, professora da Universidade de Málaga, que faz várias perguntas: "Será que realmente precisamos de um abacate que venha do Peru ou de uma manga do Brasil? É necessário beber um suco de laranja quando não há laranjas no verão? Por que não são substituídas por morangos, uvas ou tomates, que são da época e também têm vitamina C?”. A pesquisadora sueca — que dirige há anos o projeto Predimed Plus, em Málaga, que avalia a prevenção de doenças cardiovasculares por meio da dieta mediterrânea hipocalórica e a promoção da atividade física— destaca a importância de "estarmos cientes" do que levamos para a boca.
Saber de onde vem, como é produzido, a quem prejudica o que comemos ou que esforço precisa fazer a pessoa que os recolhe para nós no campo. E, no caso da carne ou do peixe, como foi tratado o animal de que nos alimentamos. Isso ajuda a manter um peso saudável, de acordo com a docente, como também a incrementar a conexão com a natureza e seus ciclos, e a entender a importância de cuidar do meio ambiente.
A saúde do ser humano e a do planeta andam de mãos dadas, e escolher o tipo de alimento que se coloca no prato também é fazer política. As decisões de hoje afetam o amanhã das próximas gerações. "É uma maneira de escolher o futuro que queremos. E muito mais ativa: três vezes por dia, e não uma vez a cada quatro anos", disse o Greenpeace. Por essa razão, Xiana do Teixeiro transfere para outros espaços sua forma de consumir em casa.
Ela prefere não beber uma cerveja na porta de um lugar se tiver de toma-la em um copo de plástico, e nos restaurantes sempre explica por que prefere que lhe sirvam um copo de água da torneira em vez da engarrafada. Também tenta perguntar a garçons e cozinheiros sobre a origem dos produtos no cardápio. E questiona a insustentabilidade de viajar ou usar produtos farmacêuticos "a todo custo". "Acho interessante a ideia de contenção aplicada a tudo: o decrescimento”, enfatiza, deixando claro que acredita que todo gesto conta: "A escala é muito importante. E, mesmo que aquilo que uma pessoa faça seja quase simbólico diante da grande indústria, é uma questão de moral".
O último requisito para ser um climatarian é ter tempo. As compras de Xiana são uma corrida de obstáculos em etapas. Não há uma prateleira onde todos os produtos sustentáveis sejam colocados. "É preciso assumir que a vida é trabalho. E que coisas básicas como a nutrição e o descanso também exigem esforço. Isso nos transmite valor em relação ao que consumimos e à ação de consumir", diz a cineasta. E acrescenta: "A ideia de fazer tudo rápido, fácil e de um jeito cômodo nos fez perder o controlo do que comemos, como isso afeta nossa saúde e o impacto no meio ambiente". Vale a pena, mas não é simples. Ainda mais com um mercado capitalista sempre atento a facilitar a obtenção de rentabilidade. "A cozinha do século XX não existirá na metade do século XXI. Os pratos serão esquentados e só se cozinhará por hobby", dizia no semestre passado Juan Roig, presidente da Mercadona. Más notícias para o planeta.

COMO SE CALCULA A PEGADA DE CARBONO DOS ALIMENTOS?
É difícil para o consumidor porque quase não há informações. Existem noções básicas e de senso comum, como o consumo de produtos das redondezas, da época ou que sigam critérios ago ecológicos que respeitem as normas ambientais e trabalhistas. Mas, em geral, é quase impossível.
Mesmo os estudos mais meticulosos têm problemas para obter uma cifra correta porque não há muitos precedentes e, além disso, é preciso analisar inúmeras variáveis durante as fases de extração, processamento, distribuição e uso de cada alimento.
"Foram constatadas a complexidade e o custo da tarefa, tanto no cálculo como na rotulagem", destaca o estudo Cálculo e Rotulagem da Pegada de Carbono em Produtos Alimentícios, realizado por uma equipe da Cátedra de Ética Ambiental da Universidade de Alcalá. Entre as conclusões do documento está a recomendação de adicionar a cada produto uma rotulagem obrigatória com a pegada de carbono para que as pessoas possam tomar melhores decisões com base em maior conhecimento.

Nacho Sánchez 30 ago 2019
EL PAÍS / Brasil


Nanan - Casa da floresta


quarta-feira, julho 15, 2020

#liberteofuturo Por que nos juntamos num movimento global de resgate do presente




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No manifesto #liberteofuturo, lançado neste domingo, 5 de julho, escrevemos: “Lançamos esse movimento porque não queremos ser abatidos como gado. Seja no campo ou na cidade, queremos viver como floresta ―em pé― e lutar”. Sim, queremos lutar pelo futuro do presente ―no presente. Nós, que temos nos mostrado tão competentes em imaginar o fim do mundo ―do apocalipse bíblico aos filmes de zumbi, dos vírus (que agora tivemos uma amostra) a um ataque alienígena, do domínio da inteligência artificial ao holocausto nuclear―, temos que nos tornar capazes de imaginar o fim do capitalismo. Temos que nos tornar capazes, principalmente, de imaginar um futuro onde possamos e queiramos viver. Imaginar é ação política. Imaginar é instrumento de resistência. Imaginar o futuro já é começar a criar o presente.

Como esse movimento começou? Pelo susto e pelo desejo, como em geral quase tudo se inicia. A pandemia se desenhava no mundo, a Itália vivia cenas de peste e o Brasil apenas anunciava seu primeiro caso. Mas havia quem já falasse da volta à normalidade. Este era o nosso susto. Como pessoas conscientes da crise climática, da destruição acelerada da biodiversidade e da abissal desigualdade, nós já esperávamos o tempo das pandemias. Existe, porém, uma larga diferença entre prever o que vai acontecer diante da destruição persistente da natureza, a partir do conhecimento dos povos indígenas e das pesquisas dos cientistas, e viver o que está acontecendo. O susto era o de viver a pandemia, mas também era pelo que se desenhava como “volta à normalidade” pós-pandemia. Normalidade para quem?, era nossa primeira pergunta.

Sabíamos que, com a recessão que se anunciava, as corporações que dominam o mundo, assim como os governantes e políticos, economistas e executivos financiados por elas, estalariam o chicote no lombo do gado humano em que fomos convertidos pelo capitalismo neoliberal. O discurso da retomada e da aceleração da produção viria com todas as suas fantasmagorias. E o anormal que já vivemos poderia ―e pode― se tornar um anormal ainda mais mortífero, brutalizando ainda mais os corpos humanos e não humanos.

Naquele momento, março de 2020, todos os nossos esforços estavam concentrados em criar ações e campanhas para proteger os que seriam mais atingidos pela pandemia. Nos movíamos para atenuar o sofrimento do presente imediato, promovendo vaquinhas na internet para comprar cestas básicas sem agrotóxicos, com produtos produzidos por produtores locais de comunidades vulneráveis, assim como pressionar pelo fortalecimento do SUS. Percebemos, porém, que precisaríamos fazer mais. Precisaríamos disputar o futuro no presente.

 

Esse movimento começou com duas pessoas conversando por whatsapp, outras se juntaram numa primeira reunião por zoom em abril e hoje, três meses depois, somos muitas e muitos. Cada um fazendo o que sabe fazer melhor e todas e todos aprendendo a fazer o que não sabem, porque assim são os tempos, como já escrevo há anos nestes espaço: não basta fazer o que sabemos, temos que fazer também o que não sabemos. Esse é o desafio desse momento.

Nosso movimento não tem dono. Nem permitiremos capturas. Somos Eu+1+. Esta é a equação da rebelião, criada por Élio Alves da Silva, poeta e pescador do Médio Xingu, na Amazônia. “Eu sozinho não posso nada, eu sozinho só conto como um. Mas, se eu chamar mais um, já começamos a poder. E se esse um chamar mais um e mais um e mais... Aí nós podemos”. Como apontaram alguns pensadores, não é apenas o vírus que pode se espalhar numa velocidade alucinante, as ideias também. Boca a boca. Assim, convidamos todas e todos a se juntar com a gente no movimento pela libertação do futuro.

Antes de explicar como participar, quero falar sobre por que entendemos que o futuro, hoje, está sequestrado.

Nós, os que hoje estamos vivos, nunca enfrentamos uma ameaça como o novo coronavírus. Se tantos repetem que o mundo nunca mais será o mesmo, e não será, qual é então o mundo que queremos?

Lutar pela vida ameaçada pelo vírus é o imperativo da emergência. É preciso, porém, fazer algo ainda mais difícil: lutar pelo futuro pós-vírus. O rompimento da normalidade para poucos, da anormalidade para a maioria, que o vírus provocou, pode ser a oportunidade para desenhar uma sociedade baseada em outros princípios, capaz de barrar a catástrofe climática e promover justiça racial e entre espécies. O pior que pode nos acontecer depois da pandemia será justamente voltar à anormalidade que nos esmaga. Aquilo que muitos chamam de novo normal ―e nós entendemos que é um “novo anormal”.

Até baluartes da imprensa liberal, como The Economist e Financial Times, ambos nascidos no berço do capitalismo, anunciaram no início da pandemia que seria preciso dar um passo atrás. Maior intervenção do Estado e políticas como renda mínima e taxação de fortunas, antes consideradas “exóticas” por esses segmentos, têm sido elencadas na abordagem do novo contrato social no mundo pós-pandemia. Conceder um pouco para garantir que nada mude no essencial é um truque antigo. Já podemos perceber, porém, que as velha forças já se rearranjam para tentar manter tudo não só como estava, mas com ainda maior exploração dos mesmos de sempre ―nós.

Sabemos que, numa crise, as pessoas se agarram àquilo que conhecem. Mesmo que aquilo que conhecem seja muito ruim, elas encontram conforto em conhecer a própria desvalia do que se arriscar ao desconhecido, que pode trazer uma miséria com a qual não se tem intimidade. O sentimento de desamparo é muito difícil de sustentar. Assim, é bastante provável que todas as “boas” intenções ―pessoais, corporativas, governamentais (para quem tem um governo minimamente decente, não é o caso do Brasil)― desapareçam com a ameaça do vírus, caso a vacina seja encontrada, e as pessoas reassumam seus postos nas jaulas de cada dia. Até a próxima pandemia ou o próximo desafio da emergência climática em curso. Ou até pior: as pessoas podem aceitar mais perda de direitos e dar mais poderes a quem nos oprime na tentativa de se salvar do próximo vírus ou da próxima catástrofe. E elas virão se não houver uma mudança radical na forma de viver.

O vírus, porém revelou um segredo, como apontou o filósofo francês Bruno Latour, num artigo que “viralizou”. Com o vírus, descobrimos que aqueles que afirmavam ser impossível parar de produzir, reduzir o número de voos, aumentar os investimentos dos governos e mudar radicalmente os hábitos apenas mentiam. O mundo mudou em semanas em nome da vida. É também em nome da vida que precisamos manter as boas práticas que surgiram deste período e pressionar como nunca antes por outro tipo de sociedade, tecida com outros fios.

É no sistema capitalista que o planeta, supostamente à disposição dos consumidores, foi consumido; que espécies inteiras foram destruídas e outras subjugadas para terem seus corpos consumidos em produção industrial. É assim que você nasce para, consumindo seu corpo e seu tempo, ser consumido e se consumir. E é assim que os humanos se tornaram, a partir da revolução industrial, que iniciou um processo cada vez mais veloz de emissão de CO2 pela queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo etc), uma força de destruição do planeta. Atenção, porém: não todos os humanos, mas a minoria dominante.

Pressionadas pelo colapso da natureza que provocaram e pela evidência de que haverá mais pandemias, as grandes corporações que controlam o mundo e aqueles que se beneficiam delas tentam agora reinventar o sistema de destruição, como já fizeram no passado, para continuar no controle ―e lucrando. E têm muitas chances de conseguir.

Nós queremos impedir que rearranjem o anormal. E queremos fazer isso pelo caminho mais radical, o da imaginação. Pelo resgate da possibilidade de voltar a imaginar outros mundos possíveis. Isolamento físico, sim. Isolamento social, jamais.

E por que “libertar” o futuro? Porque entendemos que o futuro ―assim como nós― foi sequestrado pelos déspotas eleitos que hoje governam parte do mundo.

Como Jair Bolsonaro, o maníaco que está tentando matar quase todos, exceto sua família e seus amigos, se elegeu? Da mesma forma que Donald Trump e outros: vendendo um passado que nunca existiu. Déspotas eleitos como Bolsonaro, Trump e toda a corja de perversos e mentirosos vendem a volta ao que nunca houve. Um passado em que havia paz e que cada um aceitava passivamente o seu lugar – o que significa que os negros aceitavam passivamente o seu lugar subalterno, os indígenas aceitavam passivamente o seu lugar subalterno, as mulheres aceitavam passivamente o seu lugar subalterno, todos aceitavam passivamente que o gênero era binário ou então era desvio. Um passado em que cada coisa estava em seu lugar e cada um sabia o lugar de cada coisa e estava tudo pacificamente resolvido.

Ora, nós sabemos que não havia paz neste passado. Que ele era costurado com conflitos, com sujeições, com apagamentos e com extermínios. Déspotas eleitos como Trump e Bolsonaro limpam esse passado de seus conflitos e de suas mortes e o embalam para oferecer a uma população assustada com um mundo movediço, uma população assustada com as insurreições daqueles que sempre foram considerados sub-humanidades, como diz o pensador indígena Ailton Krenak, aqueles que sempre estiveram nas periferias da vida pública e da privada e passaram a disputar o centro.

Mas por que os déspotas eleitos oferecem um passado que nunca existiu? Aí está um outro segredo, que queremos revelar para o mundo. A resposta é que eles não têm futuro para oferecer. O futuro é a crise climática, que eles se esforçam para negar, mas está acontecendo. O futuro é hostil. Para conquistar o poder e para manter o poder eles precisam vender um passado que nunca existiu e negar veementemente o futuro. É muito importante compreender que eles só conquistam e só mantêm o poder negando o futuro.

Eles não são negacionistas da crise climática porque acreditam que ela não existe. Eles são negacionistas porque não podem oferecer futuro exatamente porque estão a serviços das corporações transnacionais e dos grupos locais que produzem a crise climática. Este é o ponto frágil dessa extrema direita assassina, em alguns casos fascista, que hoje governa o Brasil e outros países do mundo: quando eles negam a crise climática, porque só podem negá-la, precisam também negar o futuro.

E aí está a fissura que a pandemia abriu. De repente, o mundo parou. Quando os povos indígenas, os cientistas e os adolescentes gritavam que era preciso reduzir a produção para salvar a nossa vida no planeta, que era preciso mudar o jeito de viver, governantes e grandes corporações diziam que era impossível. O que a pandemia mostrou? Que é possível, sim. E que dá para fazer isso rapidamente. Em poucas semanas, o impossível aconteceu.

É também por isso que Paulo Guedes, o braço perverso de Bolsonaro numa economia (que se vende como todo mas é reduzida ao financeiro), assim como essa meia dúzia de pessoas que representam (essa mistificação) chamada mercado, tentam recolocar rapidamente o discurso neoliberal, o da volta à normalidade, o discurso da produção e do crescimento, para mostrar que dá para mudar tudo ―mas só por um curto espaço de tempo. Depois, é preciso correr e recuperar a produção e os lucros perdidos. À custa, como cada um sabe bem, dos corpos dos outros ―os nossos corpos. O “sacrifício” é da maioria para a minoria manter seus privilégios. Ou alguém estava feliz e próspero antes da pandemia, alegremente apaziguado com seu tempo sequestrado pela prisão do modelo 24 (horas) por dia X 7 (dias) por semana?

Hoje, apenas 2.153 pessoas – às vezes a gente esquece que os bilionários são pessoas, têm nome e sobrenome ―concentram mais riqueza material do que 60% dos outros 7.790.000.000 de seres humanos que habitam o planeta. Veja a diferença no número de casas decimais. Eles representam uma fração tão insignificante no conjunto da população global que os números falham em torná-los visíveis como porcentagem. A desigualdade racial, social, de gênero e de espécie que provocam, porém, é brutalmente visível.

Nós, do movimento de libertação do futuro, queremos que o mundo não seja apenas para 0,00003% ―ou 1 bilionário para cada 3,7 milhões de pessoas.

Não podemos nos render à volta da normalidade que corrompe a natureza e condena bilhões à pobreza. Não devemos permitir que a Amazônia, cada vez mais perto do ponto de não retorno, siga sendo destruída. As ideias precisam circular. Imaginar o futuro já é mudar o presente.

Entendemos ainda que, libertando o futuro nós também deixamos de ser reféns. Enquanto o futuro estiver sequestrado, nós também estaremos subjugados, encarcerados num presente contínuo, em eterno looping, vivendo aos espasmos. Nosso instrumento é a imaginação. Não é por acaso que a arte é tão atacada por Bolsonaro, seu clã e seus fanáticos. É a arte que promove a imaginação e é sempre a primeira a ser atacada por governos e governantes autoritários, que precisam controlar corações e mentes para impor seu projeto de poder. Foi assim no nazismo, é assim no bolsonarismo. A imaginação é a arte do pensamento. E é com ela que vamos começar a resgatar o futuro. Imaginar não é ato passivo, ao contrário. Imaginar é agir ―imagin/ação.

Não podemos esquecer do segredo revelado pela pandemia: o de que é possível parar ―e, principalmente, o de que é possível mudar. E lembremos, como um mantra, todos os dias, das palavras de Ailton Krenak: “O futuro é agora, pode não haver amanhã”.

Lançamos algumas bases para a sociedade que queremos criar, a partir de princípios que são inegociáveis: 1) com racismo não há democracia, como apontou o manifesto antirracista da Coalizão Negra por Direitos; 2) com especismo (que é o racismo com outras espécies) não há democracia; 3) é imperativo eliminar a desigualdade racial, social, de gênero e entre espécies; 4) resgatar o futuro é responsabilidade coletiva de todas e de todos que estão vivos nesta época; 5) nos compreendemos como natureza e queremos um mundo para todos os humanos e não humanos que habitam o planeta; 6) a Amazônia, como conceito amplo, é o centro do mundo.

Lutaremos.

A partir de cinco propostas para adiar o fim do mundo, sugerimos que cada uma e cada um façam perguntas e respostas em vídeos ―cinco vídeos de no máximo um minuto cada um. Estes são os pontos de partida: 1) Antídotos contra o fim do mundo: imagine como quer viver; 2) Democracia: proponha políticas públicas, assim como mudanças nas leis e nas normas, para reduzir as desigualdades de raça, gênero e classe e para que a democracia seja mais do que votar a cada eleição; 3) Consumo: indique alternativas para eliminar as práticas de consumo que escravizam a nossa e as outras espécies; 4) Emergência climática: sugira ações para impedir a destruição da natureza, garantindo a continuidade de todas as formas de vida no planeta; 5) Insurreição: defina a melhor ação de desobediência civil para criar o futuro onde você quer viver. Você pode fazer um vídeo para cada tema ou escolher apenas aqueles pontos com os quais você se identifica mais. Ou, ainda, pode responder apenas uma pergunta:

Que futuro você quer libertar?

Os vídeos devem ser postados com as hashtag #liberteofuturo e #freethefuture. E enviados para o número de celular e email indicados na nossa plataforma.

Cada uma, cada um está convidada/o a se juntar a nós, imaginando o futuro e promovendo ações a partir da imaginação. Entre na nossa plataforma, torne-a sua, sendo +1, e chame +1. Junte sua turma de amigos, sua família, seu coletivo, sua organização, sua empresa, seu time de futebol, sua confraria do boteco, seu grupo da igreja e crie futuros. Se quiser dar um passo além, inscreva-se nos “laboratórios sociais liberte o futuro”. Aqui está nosso endereço: www.liberteofuturo.net e www.freethefuturo.net . Nos busque nas redes: instagram, facebook e twitter: @liberteofuturo. Nos encontre pela hashtag #liberteofuturo e #freethefuture. Nossa plataforma já começa a se tornar um mostruário da imaginação do futuro neste momento histórico, uma coleção de pensamentos que poderá inspirar ações e estimular pesquisas. Estamos criando um grande museu vivo sobre a imaginação.

Para quem acha difícil, é difícil mesmo. Certamente não mais difícil, porém, do que viver num presente sem futuro. Para os céticos, quero dizer o seguinte. Em março, nada disso existia. E, hoje, já somos dezenas e criamos beleza. Nossa plataforma já tem mais de 200 vídeos de gente imaginando o futuro antes mesmo do lançamento. Ousamos. Somamos o que sabíamos e ousamos fazer o que não sabíamos. Criamos algo que não existia. O futuro que começamos a imaginar três meses atrás já é presente.

Vem com a gente libertar o futuro?

Eliane Brum é colunista do El País e +1 do movimento #liberteofuturo.


Eliane Brum

EL PAÍS / Brasil 05 jul 2020
https://brasil.elpais.com/brasil/2020-07-05/liberteofuturo.html

terça-feira, julho 14, 2020

Por que os psicopatas chegaram ao poder


Há uma dimensão pouco examinada no avanço das lógicas neoliberais. Um sistema que estimula competição, disputa e rivalismo produzirá “líderes” brutais e sem empatia. Eleger gente generosa e sensível requer uma nova democracia



Quem, em seu juízo perfeito, poderia desejar esse trabalho? É quase certo que acabará, como descobriu Theresa May, em fracasso e execração pública. Procurar ser primeiro-ministro britânico, hoje, sugere ou confiança imprudente ou fome insaciável de poder. Talvez necessitemos de uma ironia como a de Groucho Marx: alguém louco o suficiente para candidatar-se a essa função deveria ser desqualificado para concorrer.
Alguns anos atrás, a psicóloga Michelle Roya Rad listou as características de uma boa liderança. Entre elas figuravam justiça e objetividade, desejo de servir à sociedade e não a si mesmo, falta de interesse em ser famoso e ocupar o centro das atenções, resistência à tentação de esconder a verdade ou fazer promessas impossíveis. Por outro lado, um artigo publicado no Journal of Public Management & Social Policy (Jornal de Gestão Pública e Política Social) listou as características de líderes com personalidade psicopata, narcisista ou maquiavélica. Elas incluem: tendência à manipulação dos outros, disposição em mentir e enganar para alcançar seus objetivos, falta de remorso e sensibilidade, desejo de admiração, atenção, prestígio e status. Quais dessas características descrevem melhor as pessoas que estão competindo para ser “governantes” no mundo contemporâneo?
Na política, vê-se em todo lado o que parece ser a externalização de déficits ou feridas psíquicas. Sigmund Freud afirmou que “os grupos assumem a personalidade do líder”. Penso que seria mais preciso dizer que as tragédias privadas dos poderosos tornam-se as tragédias públicas daqueles que eles dominam.
Para algumas pessoas, é mais fácil comandar uma nação, mandar milhares para a morte em guerras desnecessárias, separar crianças de suas famílias e infligir sofrimentos terríveis do que processar sua própria dor e trauma. Aparentemente, o que vemos na política, em todos os cantos, é uma manifestação pública de profunda angústia privada.
Essa talvez seja uma força particularmente forte na política britânica. O psicoterapeuta Nich Duffell escreveu sobre “líderes feridos”, que foram separados da família na primeira infância para ser enviados ao colégio interno. Eles desenvolveram uma “personalidade de sobrevivente”, aprendendo a reprimir seus sentimentos e projetar um falso eu, caracterizado pela demonstração pública de competência e autoconfiança. Sob essa persona está uma profunda insegurança, que pode gerar necessidade insaciável de poder, prestígio e atenção. O resultado disso é um sistema que “sempre revela pessoas que parecem muito mais competentes do que realmente são”.
O problema não está confinado a estas paragens. Donald Trump ocupa a cadeira mais poderosa do planeta, e ainda assim parece roer-se de inveja e ressentimento. “Se o presidente Obama tivesse feito os acordos que fiz”, afirmou há pouco, “a mídia corrupta os consideraria incríveis… Para mim, apesar do nosso recorde em economia e tudo o que fiz, não há crédito!”. Nenhuma riqueza ou poder parece capaz de satisfazer sua necessidade de afirmação e segurança.
Penso que deveria ser necessário a qualquer um que quisesse participar de uma eleição nacional passar por uma formação em psicoterapia. A conclusão do curso seria a qualificação para o cargo. Isso não mudaria o comportamento de psicopatas, mas poderia evitar que, ao exercer o poder, certas pessoas impusessem sobre os outros suas próprias feridas profundas. Fiz dois cursos: um influenciado por Freud e Donald Winnicott, outro cuja abordagem tinha foco na compaixão de Paul Gilbert. Considero os dois extremamente úteis. Penso que quase todo mundo se beneficiaria desses tratamentos.
A psicoterapia não iria garantir uma política mais gentil. A abertura admirável de Alastair Campbell ao falar sobre sua terapia e saúde mental não o impediu de comportar-se – quando desempenhou as funções de assessor político e porta-voz de Tony Blair – como um valentão desbocado, que intimidava as pessoas a apoiar uma guerra ilegal, em que centenas de milhares de pessoas morreram. Tanto quanto sei, não demonstrou remorso por seu papel nessa guerra agressiva, que cabe na definição de “crime internacional supremo” do tribunal de Nuremberg.
O problema, na verdade, é o sistema no qual essas pessoas competem. Personalidades tóxicas prosperam em ambientes tóxicos. Aqueles que deveriam ser menos confiáveis para assumir o poder são justamente os que mais provavelmente vencerão. Um estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology sugere que o grupo de traços psicóticos conhecido como “domínio sem medo” está associado a comportamentos amplamente valorizados nos líderes, tais como tomar decisões ousadas e sobressair-se no cenário mundial. Se assim for, nós, por certo, valorizamos as características erradas. Se para alcançar o sucesso no sistema é necessário ter traços psicopatas, há algo errado com o sistema.
Para pensar uma política eficiente, talvez fosse útil trabalhar de trás para frente: primeiro decidir que tipo de gente gostaríamos que nos representassem e depois criar um sistema que as levasse ao primeiro plano. Quero ser representado por pessoas ponderadas, conscientes de si e colaborativas. Como seria um sistema que promovesse essas pessoas?
Não seria uma democracia puramente representativa. Esse tipo de democracia funciona com o princípio do consenso presumido: você me elegeu há três anos, então presumo que consentiu com a política que estou para implementar, não importa se na época eu a mencionei ou não. Ela recompensa os líderes “fortes e determinados” que tão frequentemente levam suas nações à catástrofe. Um sistema que fortaleça a democracia representativa com democracia participativa – assembleias de cidadãos, orçamento participativo, co-criação de políticas públicas – tem mais possibilidades de recompensar os políticos sensíveis e atenciosos. A representação proporcional, que impede governos com apoio minoritário de dominar a nação, é outra salvaguarda potencial (embora não seja garantia).
Ao repensar a política, é preciso desenvolver sistemas que incentivem gentileza, empatia e inteligência emocional. É preciso nos desvencilhar de sistemas que encorajem as pessoas a esconder sua dor e dominar os outros.





in "OutrasPalavras" / Outra Política
Por George Monbiot | Tradução: Inês Castilho
Publicado 27/06/2019 às 19:48 - Atualizado 24/12/2019 às 09:48

sábado, janeiro 19, 2019

O método de agricultura natural de Fukuoka

O método de agricultura natural de Fukuoka: Seu nome era Masanobu Fukuoka e seu método de agricultura natural é cada vez mais valorizado ao redor do mundo. Ele criou um sistema de cultivo que reproduz e respeita os processos naturais da terra. Quando abordamos a momentosa questão da relação entre o homem e o mundo natural, não fazer nada ou interferir minimamente

quarta-feira, janeiro 16, 2019

Precisamos de uma revolução alimentar

O que é necessário não é apenas um ajustamento politicamente tolerável às políticas existentes, mas sim uma reforma de fundo que gere resultados reais. Infelizmente, não é evidente que existam políticos à altura do desafio, tanto nos erráticos e polarizados EUA como nos ineficientes Parlamento Europeu e Comissão Europeia.

 
Em 1984, reuni os músicos mais bem-sucedidos da altura para formar um "supergrupo" chamado Band Aid, com o objectivo de angariar fundos para combater a fome na Etiópia. No ano seguinte, formou-se um grupo ainda maior para o Live Aid, um importante concerto de beneficência e uma iniciativa de angariação de fundos baseada na música que continua até hoje. No Fórum Internacional sobre Alimentação e Nutrição, organizado em Junho pela Fundação Barilla, a necessidade persistente – e cada vez mais urgente – de esforços para o fortalecimento da segurança alimentar não pôde ser mais óbvia.

O destino dos habitantes da Ilha de Páscoa ilustra o actual problema do mundo. Em algum momento do século XII, um grupo de polinésios chegou a uma remota ilha vulcânica onde densas florestas forneciam comida, animais, assim como ferramentas e materiais para construir centenas de esculturas de pedra complexas e misteriosas. Mas, pouco a pouco, as pessoas destruíram essas florestas, acabando por cometer um suicídio social, cultural e físico.
 
Hoje, em termos relativos, temos apenas uma pequena área de floresta - e estamos a destruí-la com muita rapidez. Estamos a ficar sem terra para cultivar e o deserto está a alastrar. Os alimentos que produzimos são muitas vezes desperdiçados, enquanto mil milhões de pessoas não têm o que comer - uma realidade que deixa muita gente com poucas opções a não ser migrar.
 
A maior parte da cobertura mediática concentra-se nos refugiados que fogem de conflitos armados (como na Síria) ou em migrantes que procuram melhores oportunidades económicas (pensemos na Nigéria ou no Paquistão). Mas a ligação entre a escassez de alimentos e a migração é mais forte do que parece para aqueles que não estão entre os que passam fome.
 
Por exemplo, as revoltas da Primavera Árabe de 2010-2011, que produziram uma onda massiva de refugiados, foram desencadeadas por um aumento nos preços do trigo, que levou a tumultos generalizados que se transformaram em revoluções políticas mais amplas. Na verdade, muitos conflitos armados e o deslocamento em massa que provocam podem ser atribuídos à insegurança alimentar.
 
Enquanto o Sul pobre morre de fome, o Norte rico tem demasiada comida. Mais de dois mil milhões de pessoas têm excesso de peso, inchadas por açúcares de baixo valor alimentar e por alimentos processados produzidos em massa e ricos em gorduras. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, bastaria um quarto dos alimentos que deitamos fora ou desperdiçamos todos os anos para alimentar 870 milhões de pessoas famintas. Por todo o mundo, desperdiça-se um terço de todas as colheitas. Como os habitantes da Ilha de Páscoa do passado, estamos a preparar-nos para a auto-aniquilação.
Além disso, as alterações climáticas provocadas pelo homem ameaçam intensificar as pressões existentes que afectam o abastecimento de alimentos e a migração. Num relatório publicado em Dezembro passado, o Centro Europeu de Estratégia Política da Comissão Europeia antecipou que secas e inundações cada vez mais frequentes "superarão todos os outros propulsores da migração", e que, em 2050, haverá mil milhões de pessoas deslocadas a nível global. Mesmo a estimativa mais baixa de 25 milhões de migrantes, adverte o relatório, "faria parecer pequenos os níveis actuais de novos refugiados e de pessoas deslocadas internamente".

É verdade que estão a ser tomadas algumas medidas para fazer face ao desperdício e escassez alimentares. Por exemplo, este ano a Comissão Europeia propôs cortes aos subsídios agrícolas, que contribuem para a sobreprodução. Mas esta abordagem – apresentada como uma "evolução", em vez da "revolução" que é necessária – não é, nem de longe, a adequada.
Há muito que a política agrícola comum é altamente problemática. A PAC autorizou a aplicação de receitas fiscais na produção excedentária de alimentos, que eram depois armazenados (com um custo adicional) e que acabavam por ser destruídos (com ainda mais custos). O sistema melhorou ligeiramente ao longo dos anos, mas não o suficiente. A legislação agrícola nos Estados Unidos – a principal ferramenta de política agrícola e alimentar do governo federal – promove, igualmente, o desperdício.

O que é necessário não é apenas um ajustamento politicamente tolerável às políticas existentes, mas sim uma reforma de fundo que gere resultados reais. Infelizmente, não é evidente que existam políticos à altura do desafio, tanto nos erráticos e polarizados EUA como nos ineficientes Parlamento Europeu e Comissão Europeia.
A hora de ir em frente foi ontem; a hora de adoptar uma nova abordagem é agora. Podemos discutir os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas - que incluem metas como "reduzir para metade o desperdício global de alimentos per capita no retalho e no consumidor, e reduzir as perdas alimentares ao longo das cadeias produtivas e de fornecimento até 2030" - até à exaustão. O que importa são políticas bem concebidas, eficazes e abrangentes, implementadas de forma sustentada. E essas não existem em lado nenhum.
 
A Terra tem 45 milhões de séculos, mas o nosso século é único, porque é o primeiro em que uma espécie pode destruir toda a base da sua própria existência. Contudo, nós, os habitantes da Ilha de Páscoa dos nossos dias, parecemos alheios a esta ameaça existencial, e preferimos construir estátuas em vez de sistemas sustentáveis para a nossa sobrevivência.
 
Será que só vamos reconhecer a nossa situação quando a terra se tornar um deserto, quando os nossos sistemas de saúde colapsarem, quando até mesmo os ricos enfrentarem escassez de alimentos, quando a água doce se tornar escassa e quando as nossas linhas costeiras forem violadas? Nessa altura, será tarde demais e o nosso destino estará traçado.
 
A maior ameaça ao nosso planeta é a crença de que alguém o salvará. Cada um de nós deve reconhecer a seriedade da nossa situação e exigir acções concretas para a mudar. Estou a falar de si.
 
Bob Geldof é um cantor e compositor irlandês, autor e activista político. É o fundador e presidente do Band Aid Trust para o combate da fome em África, e membro do Africa Progress Panel.
 
Copyright: Project Syndicate, 2018.www.project-syndicate.orgTradução: Rita Faria
in Jornal de Negócios

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É possível salvar 281 mil árvores por ano se não existirem faturas em papel - Floresta Virtual - Compra/ Venda e Limpeza de Lotes de Madeira: É possível salvar 281 mil árvores por ano se não existirem faturas em papel Segundo a estimativa da associação Zero, isto equivale a uma floresta do tamanho...

terça-feira, janeiro 15, 2019

Always leave the office on time.

I recently shared an image and comment on why I genuinely believe that we all need to practice the art of leaving the office on time. Admittedly I did not expect the 3k's worth of likes and 100's of comments however I wanted to share why I genuinely believe that to achieve the high's of both professional and personal life you absolutely need to pay attention and 'leave the office on time'.

Over the last 10 years I've constantly heard the wonderful phrase of work life balance, 'Worklife balance is a concept including proper prioritizing between "work" (career and ambition) and "lifestyle" (health, pleasure, leisure, family and spiritual development/meditation)'.

So what does this really mean and why do I genuinely believe in leaving the office on time?
  1. Work is a never ending process - It's fact and we may as well get used to it, therefore stop focusing on 1 day or 1 week and start planning for a career. So harness the skills of time management and stop trying to get everything done in a day!
  2. Interest of a client is important, so is your family - Honestly I scoff at the remark from those who think 2 hours in the evening is enough for your family, it's really not. They will always enrich your life more than a client ever can, give them the time they deserve.
  3. If you fall in life neither your client or boss will lend you a helping hand, your family will - Don't get me wrong I was conflicted with this as I try to be a good boss and always try to be there, but I try, families always will, no questions asked.
  4. Life is not only about work, office, and client - I love the people and industry I work within and man when we celebrate it's fantastic but do you know what, that's one moment. With friends and family, it's continuous and without expectation. Cherish your moments with family/friends and experience new adventures with them as well.
  5. A person who stays late at the office is not a hardworking person - This raised a lot of dispute on my original post and I understand why people would disagree but I have a different view. I have learnt in 10 years of recruitment that those who are able to work effectively in the time provided they are hugely successful and enjoy a great work life balance. If you are working 10-12 hours I beg you to look at what you are trying achieve and question whether they are genuinely adding benefit. Plan your day before you start your day, don't do it at 8am or 8.30am when your day has started as your already chasing your tail. Don't be a fool.
  6. You did not study hard or struggle in life to become a machine - Nail on head, machines can operate 24 hours a day with the right fuel. You cannot, balance your life, remember you have 24 hours a day, 8 hours to sleep, 8 hours to work, 8 hours of your own!
  7. If your boss forces you to work late - You know what I am a boss. If I have to ask anyone to work late or work late myself I am a fool. To date, I have never asked anyone to work late, I never will. Practice what you preach.
I could go on for hours as this is a subject dear to me. I was a son with a father I rarely saw due to work. I've seen families torn apart because parents put work before family. I've heard of young fathers passing away because of stress at work and working 16 hours a day.

ALWAYS LEAVE THE OFFICE ON TIME.

Andrew McGregor
Director at Design & Build Recruitment

 

Confissão


À espera da morte
como um gato
que saltará sobre a
cama

Sinto terrivelmente por
minha esposa

Ela verá este
corpo
duro e
branco

Vai sacudi-lo uma vez, depois
quem sabe
outra:

"Hank!"

Hank não
responderá.

Não é minha morte o que
me preocupa, é minha mulher
abandonada com este
monte de
nada.

Quero
no entando
que ela saiba
que todas as noites
dormindo
ao seu lado

Que mesmo as discussões
inúteis
sempre foram
esplêndidas

E que as palavras
difíceis
que sempre temi
dizer
podem agora ser
ditas:

Eu te
amo.
 
Charles Bukowski
 
 

quarta-feira, março 16, 2016

O mantra da Plenitude - Pūrṇamadaḥ - Nowmastê

O mantra da Plenitude - Pūrṇamadaḥ - Nowmastê: Ele é classificado como śāntiḥ Mantra (Mantra da Paz). Sua recitação evoca uma atmosfera de tranquilidade assim removendo obstáculos diários.