"eu vou mostrando como sou e vou sendo como posso..." como diriam os Novos Baianos
quinta-feira, março 10, 2011
segunda-feira, março 07, 2011
Is Old Age Over?
By 2030, over 70 million Americans will be beyond traditional retirement age and facing the problems that come with growing old: weakened physical and mental capability, uncertain financial standing, personal loss and loneliness, and a sense of exclusion from America’s age-old affair with youth.
But even as the baby boomer generation moves inexorably toward the 65-year-old divide, scientists, health gurus, and businessmen promise that old age can be “cured”, or at least put on pause.
Is there hope for a new old age, or are we still chasing the fountain of youth?
Best-selling writer and social commentator Susan Jacoby, author of Never Say Die: The Myth and Marketing of the New Old Age, visits Zócalo to ask what old age means, and whether living longer is possible — or even desirable — without living better.
http://tinyurl.com/4q84som
But even as the baby boomer generation moves inexorably toward the 65-year-old divide, scientists, health gurus, and businessmen promise that old age can be “cured”, or at least put on pause.
Is there hope for a new old age, or are we still chasing the fountain of youth?
Best-selling writer and social commentator Susan Jacoby, author of Never Say Die: The Myth and Marketing of the New Old Age, visits Zócalo to ask what old age means, and whether living longer is possible — or even desirable — without living better.
http://tinyurl.com/4q84som
quinta-feira, março 03, 2011
BEING A GRAIN OF SAND
The real experience, beyond the dream world, is the beauty and color and excitement of the real experience of now in everyday life. When we face things as they are, we give up the hope of something better. Depression and ignorance, the emotions, whatever we experience, are all real and contain tremendous truth. If we really want to experience the truth, we have to be where we are. It is just a matter of being a grain of sand.
terça-feira, fevereiro 15, 2011
Els Castellers
Els Castellers by Fernando Barão
A castell is a human tower built traditionally in festivals at many locations within Catalonia, in Spain.
Camera: Nikon D70
Camera specifications
Focal length: 200 mm
Focal length: 200 mm
Shutter speed: 1/180 sec
Aperture: F6.3
By big master Fernando Barão
1st place at dpreview
segunda-feira, fevereiro 14, 2011
sexta-feira, fevereiro 04, 2011
Hypocrite Reader–Mon Semblable!
In his book Why Everyone (Else) is a Hypocrite, psychology professor Robert Kurzban argues that hypocrisy is hard-wired into the human brain. Kurzban’s evolutionary psychological view of the mind calls into question our customary notions of consciousness and self, as this excerpt from his book entertainingly demonstrates:
There really is something strangely compelling about the notion of someone in charge in the brain, someone watching the action, someone in control. Indeed, the philosopher Jerry Fodor is insistent on this point: “If . . . there is a community of computers living in my head, there had also better be somebody who is in charge; and, by God, it had better be me.” I don’t really know what Fodor means by “somebody,” “in charge,” or “me” in that sentence, so I’ll just pass discreetly on.
The modular view means that we ought to be really careful about how we think about consciousness. Because we don’t really know the function of the modules that happen to be conscious, we should be very wary of the notion that conscious modules are necessarily going to turn out to have really big roles to play in what the brain, as a whole, is up to. It might seem as though they should, but it could be that we only feel this way because consciousness is the only thing the brain does that feels like something. My guess–and I think the evidence in psychology is with me on this–is that whatever the conscious modules actually do constitutes relatively little of what the mind, in total, does. So, there are many, many things going on in your brain, and “you” have consciousness–experience–of only some of them. Your visual system is doing all kinds of complex computations–it takes an insanely complicated set of operations to turn the light on your retina into something other bits of the brain can use, and you don’t experience any of those. You just experience the visual world.
Further, there’s no particular reason that we ought to expect that consciousness is or must be associated with any particular process. We know more today than we used to about consciousness, but I think I’m on firm ground when I say that there’s still a lot we don’t know. In particular, I don’t think we know what the function of consciousness is, or even if it’s reasonable to talk about consciousness having a function. I won’t get into the philosophy of this, but it’s worth keeping in mind that if we don’t really understand it, we probably shouldn’t make any sweeping claims about it.
There’s a strong intuition that the conscious modules are “us,” and that “we” need to know, basically, everything. But while Bobby does just fine asking Annie out at the end of cranium command, the modules that implement this excellent idea probably don’t have information about how that decision was made. Many, many modules are busily doing their jobs, giving conscious modules the information necessary to do theirs, but quite possibly not much beyond that.
It’s easy to forget this. It’s easy to think that the conscious I is “in charge,” originates decisions, and, basically, is every single module. But it’s not. I think Dennett got it right when he said that while there is some sense in which we all reject dualism, nonetheless, as he put is, “the persuasive imagery of the Cartesian theater keeps coming back to haunt us–laypeople and scientists alike–even after its ghostly dualism has been denounced and exorcized.” Excerpted from Why Everyone Else Is A Hypocrite: Evolution and the Modular Mind, by Robert Kurzban. Copyright © 2011 by Robert Kurzban. Excerpted with permission by Princeton University Press.
Buy the book: Skylight Books, Powell’s, Amazon
*Photo of Rodin’s “The Thinker” courtesy of edmenendez.
quinta-feira, fevereiro 03, 2011
Presunção de sofrer
Penso que deve existir para cada um
uma só palavra que a inspiração dos povos deixasse
virgem de sentido e que,
vinda de um ponto fogoso da treva, batesse
como um raio
nos telhados de uma vida, e o céu
com águas e astros
caísse sobre esse rosto dormente, essa fechada
exaltação.
Que palavra seria, ignoro. O nome talvez
de um instrumento antigo, um nome ligado
à morte — veneno, punhal, rio
bárbaro onde
os afogados aparecem cegamente abraçados a enormes
luas impassíveis.
Um abstracto nome de mulher ou pássaro.
Quem sabe? — Espelo, Cotovia, ou a desconhecida
palavra Amor.
Sei que a minha vida estremeceria, que
os braços sonâmbulos
iriam para o alto e queimariam a ligeira
noite de junho, ou que o meu
coração ficaria profundamente louco. E nessa
loucura
cada coisa tomaria seu próprio nome e espírito,
e cada nome seria iluminado
por todos os outros nomes da terra, e tudo
arderia num só fogo, entre o espaço violento
do mês de primavera e a terra
baixa e magnífica.
Herberto Helder
quarta-feira, fevereiro 02, 2011
A canção do delirante Aengus
Eu fui para uma floresta de nogueiras,
Porque minha mente estava inquieta,
Eu colhi e limpei algumas nozes,
E apanhei uma cereja, curvando o seu fino ramo;
E, quando as claras mariposas estavam voando,
Parecendo pequenas estrelas, flutuando erráticas,
Eu lancei framboesas, como gotas, em um riacho
E capturei uma pequena truta prateada.
Quando eu a coloquei no chão
E fui soprar para reativar as chamas,
Alguma coisa moveu-se e eu pude ouvir,
E, alguém me chamou pelo meu nome:
Apareceu-me uma jovem, brilhando suavemente
Com flores de maçãs nos cabelos
Ela me chamou pelo meu nome e correu
E desapareceu no ar, como um brilho mais forte.
Talvez eu esteja cansado de vagar em meus caminhos
Por tantas terras cheias de cavernas e colinas,
Eu vou encontrar o lugar para onde ela se foi,
E beijar seus lábios e segurar suas mãos;
Caminharemos entre coloridas folhagens,
E ficaremos juntos até o tempo do fim do tempo, colhendo
As prateadas maçãs da lua,
As douradas maçãs do sol.
W.B. Yeats (1899)
foto de Jules Berlin.
Poemas... e são dois!
falou-me com duas pedras na mão
eu atirei-lhas de volta
por pouco não lhe rachei a cabeça
parti o vidro duma montra
ficou parecida com uma teia de aranha
chovesse, então, era uma maravilha
veio um polícia e levou-me
bem lhe expliquei a situação
visivelmente não compreendeu
que uma metáfora por vezes
tem consequências pouco legais
multou-me e aconselhou-me
a não reincidir
coisa que fiz logo de seguida
***
pus-me a escrever um poema que
fosse tal e qual uma pedra e
acertasse sempre no que
eu bem quisesse
se parti alguma coisa, pois
não faço ideia
o que garanto é que
não fui multada
até recebi direitos de autor
ainda que injustamente
a pedra era obviamente um plágio
quanto ao poema, quem sabe
Bénédicte Houart
in Aluimentos, Cotovia, 2009
Hipérbole del amoroso
Hipérbole del amoroso
Te amo tanto que duermo con los ojos abiertos.
Te amo tanto que hablo con los árboles.
Te amo tanto que como ruiseñores.
Te amo tanto que lloro joyas de oro.
Te amo tanto que mi alma tiene trenzas.
Te amo tanto que me olvido del mar.
Te amo tanto que las arañas me sonríen.
Te amo tanto que soy una jirafa.
Te amo tanto que a Dios telefoneo.
Te amo tanto que acabo de nacer.
Carlos Edmundo de Ory
sexta-feira, janeiro 28, 2011
Disconnect to connect
Se dermos um pouco mais de atenção ao mundo que está à nossa volta, conseguiremos dar muitro mais atenção a nós próprios...
;o)
;o)
quarta-feira, janeiro 26, 2011
terça-feira, janeiro 25, 2011
Agora, já não preciso
Agora, já não preciso que gostem de mim.
Agora, tenho mil peças de um puzzle, tenho
uma caixa cheia de molas soltas, duas mãos,
tenho a planta de uma casa, tenho ramos
guardados para o inverno, e tanto silêncio,
tenho tanto silêncio, bolsos vazios e cheios,
pão, fé, céu, chão, mar, sal, sol, cá e lá,
tenho sobretudo lá, uma distância imensa
feita de planícies estendidas e eternidade
porque eu caminho com vagar ao longo das
estradas, o horizonte é demasiado quando
planeio toda a sua distância sem medo de
nada, destemido apenas, a coragem é um
exército ao meu lado, tenho a coragem
necessária, tenho um lago que reflecte a
noite e a lua quando há lua, uma orquestra
inteira tenho, o som e o silêncio, já disse o
silêncio, repito-o a saber quem sou e o que
tenho, tenho uma gaveta de papéis, tenho
montanhas de montanhas, tenho ar, tenho
tempo e tenho uma palavra que corre à
minha frente, mas que consigo apanhar
e que ainda utilizo no poema.
Agora, tenho mil peças de um puzzle, tenho
uma caixa cheia de molas soltas, duas mãos,
tenho a planta de uma casa, tenho ramos
guardados para o inverno, e tanto silêncio,
tenho tanto silêncio, bolsos vazios e cheios,
pão, fé, céu, chão, mar, sal, sol, cá e lá,
tenho sobretudo lá, uma distância imensa
feita de planícies estendidas e eternidade
porque eu caminho com vagar ao longo das
estradas, o horizonte é demasiado quando
planeio toda a sua distância sem medo de
nada, destemido apenas, a coragem é um
exército ao meu lado, tenho a coragem
necessária, tenho um lago que reflecte a
noite e a lua quando há lua, uma orquestra
inteira tenho, o som e o silêncio, já disse o
silêncio, repito-o a saber quem sou e o que
tenho, tenho uma gaveta de papéis, tenho
montanhas de montanhas, tenho ar, tenho
tempo e tenho uma palavra que corre à
minha frente, mas que consigo apanhar
e que ainda utilizo no poema.
José Luís Peixoto
Gaveta de Papéis
Os ares
Os ares
como são furtivos
Como os diria
calmos
quando não faltam
na respiração
Quando são
vento melhor
que o pulmão
que o calor
Respiram consigo
os ares claros
movem a vida
raros
Ares densos não são esses
para quem sente denso
o coração
Chamai-lhes vento
e claramente os ares
são roucos
se então
eles trespassam
a pele da boca
Fiama Hasse Pais Brandão
segunda-feira, janeiro 24, 2011
assusta-me
assusta-me que o
ofício da luz perca os
objectos ou estas longas
paisagens. mas farto-me das
coisas que, ao mínimo
vislumbre, parecem
reais.
valter hugo mãe
foto: antónio matos
sexta-feira, janeiro 21, 2011
quarta-feira, janeiro 19, 2011
quarta-feira, janeiro 12, 2011
segunda-feira, janeiro 10, 2011
no desgoverno dos sonhos
no desgoverno dos sonhos,
talvez púrpura do frio, talvez
cego de sol, talvez acorde
procuro palavras que
me entendam
como imagino coisas acesas
pelos lugares e não saboto
a vontade de deus
valter hugo mãe
sexta-feira, janeiro 07, 2011
Paulo Robalo...
... e as suas lutas ancestrais indianas, paquistanesas, iranianas num corpo a corpo em a cera de abelha, fundida a quente com pigmentos naturais...
é belo...
Um simples corpo
A prontidão das sombras resume
Um simples corpo e resvala sinuosa.
Sei que recordo tudo em certos momentos.
Recordo-te até como se te chamasse,
Como se corresse através do caminho
Que vais preparando junto aos precipícios.
Mas a memória revela o que não sei,
Desfaz sequências de nomes até ti.
Repito a violência e seguro uma pedra
Com as mãos – tal como as tuas – já perdidas.
Repito toda a fragilidade que o teu peso insinua
E derramo a voz ao limite – ossos e carne
Que nos atiram ao chão com o afecto da dor.
Rui Almeida
in Lábio Cortado
A definição do amor
dantes escrevia poemas de amor. para viver com o amor
nos poemas, sempre. depois disseram-me que já toda agente o fez, que nada mais havia a escrever sobre o amor.
que o amor já estava em demasiados poemas. eu aceitei
o conselho e passei a escrever poemas de morte. escrevi
muitos poemas sobre o meu pai, até ao dia em que percebi
que a morte é sinónimo de amor, como tudo é sinónimo
do amor. e voltei a escrever o que nada havia a
dizer. porque até o poema é sinónimo de amor.
Jorge Reis-Sá
in biologia do homem
quinta-feira, janeiro 06, 2011
Passagem...
Passagem.
O gosto de ocultar venceu. Venceram a reserva, a prudência, a discrição natural, a instintiva tendência chinesa para apagar vestígios, para evitar encontrar-se a descoberto.
O prazer de manter escondido venceu. Assim a escrita passou a estar ao abrigo, passou a ser um segredo; segredo entre iniciados.
Segredo difícil, longo, custoso de partilhar, segredo para fazer parte de uma sociedade. Círculo que durante séculos e séculos vai permanecer no poder. Oligarquia dos subtis.
Henri Michaux
excerto de Idéogrammes en Chine, 1986 / Ideogramas na China, livros Cotovia, 1999 - Série Oriental - tradução de Ernesto Sampaio
foto by lia villares
Se ao menos soubesses...
Se ao menos soubesses tudo o que eu não disse
ou se ao menos me desses as mãos como quem beija
e não partisses, assim, empurrando o vento
com o coração aflito, sufocado de segredos;
se ao menos percebesses que eram nossos
todos os bancos de todos os jardins;
se ao menos guardasses nos teus gestos essa bandeira de lirismo
que ambos empunhámos na cidade clandestina
Quando as manhãs cheiravam a óleo e a flores
e o inverno espreitava ainda nas esquinas como uma criança tremendo;
se ao menos tivesses levado as minhas mãos para tocar os teus dedos
para guardar o teu corpo;
se ao menos tivesses quebrado o riso frio dos espelhos
onde o teu rosto se esconde no meu rosto
e a minha boca lembra a tua despedida,
talvez que, hoje, meu amor, eu pudesse esquecer
essa cor perdida nos teus olhos.
Joaquim Pessoa
foto: António Matos
quarta-feira, janeiro 05, 2011
CORPO COMUM
surdamente desato
um som inaudível
suponho que perfume algum
possa emanar do nada
em que nenhuma imagem
subsiste
onde não há pegadura
e se saboreia apenas
a exclusiva gastronomia
de morrer-se
Miguel-Manso
quarta-feira, dezembro 22, 2010
quarta-feira, dezembro 15, 2010
terça-feira, dezembro 14, 2010
Para os meus amigos
Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas atiradas fora,
das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos,
dos tantos risos e momentos que partilhámos.
Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das
vésperas dos fins-de-semana, dos finais de ano, enfim...
do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje já não tenho tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja
pelo destino ou por algum
desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a encontrar-nos, quem sabe... nas cartas
que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto
se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo...
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e
perguntarão:
Quem são aquelas pessoas?
Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!
- Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons
anos da minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...
Quando o nosso grupo estiver incompleto...
reunir-nos-emos para um último adeus a um amigo.
E, entre lágrimas, abraçar-nos-emos.
Então, faremos promessas de nos encontrarmos mais vezes
daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a
sua vida isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não
deixes que a vida
passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de
grandes tempestades...
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem
morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem
todos os meus amigos!
Fernando Pessoa
sexta-feira, dezembro 03, 2010
Andava a lua nos céus
Andava a lua nos céus
Com o seu bando de estrelas
Na minha alcova
Ardiam velas
Em candelabros de bronze
Pelo chão em desalinho
Os veludos pareciam
Ondas de sangue e ondas de vinho
Ele, olhava-me cismando;
E eu,
Plácidamente, fumava,
Vendo a lua branca e nua
Que pelos céus caminhava.
Aproximou-se; e em delírio
Procurou avidamente
E avidamente beijou
A minha boca de cravo
Que a beijar se recusou.
Arrastou-me para ele,
E encostado ao meu hombro
Falou-me de um pagem loiro
Que morrera de saudade
À beira-mar, a cantar...
Olhei o céu!
Agora, a lua, fugia,
Entre nuvens que tornavam
A linda noite sombria.
Deram-se as bocas num beijo,
Um beijo nervoso e lento...
O homem cede ao desejo
Como a nuvem cede ao vento
Vinha longe a madrugada.
Por fim,
Largando esse corpo
Que adormecera cansado
E que eu beijara, loucamente,
Sem sentir,
Bebia vinho, perdidamente
Bebia vinha..., até cair.
António Botto
Aves de Um Parque Real
As Canções de António Botto
1999
quinta-feira, dezembro 02, 2010
Where is my man
Nunca te tenho tanto como quando te busco
sabendo de antemão que não consigo encontrar-te.
Só então consinto estar apaixonada.
Só então me perco na selva esmaltada
de carros ou carrosséis, cafés abarrotados,
luas de montras, labirintos de parques
ou de espelhos, correndo atrás de tudo
o que se parece contigo.
Estou sempre à espreita.
O alcatrão derrete na rua,
este movente estampado
de camisas e pólos, cujas cores comparo
ao azul celeste ou ao verde malaquita
que por teu peito eu abria.
Deliciosa angústia se julgo reconhecer-te
me faz desmaiar, minha pele toda a nomear-te,
alerta, pendente de meus olhos.
Minha vista indaga, como é fácil de ver,
qualquer indício que me leve a ti,
que te meta no meio onde só tua imagem
prevalece e se te ajuste e funda,
te achegue, te inaugure e estejas para sempre.
Ana Rossetti
Eu ontem vi-te...
Eu ontem vi-te
Andava a luz
do teu olhar,
que me seduz,
a divagar
em torno de mim.
E então pedi-te,
não que me olhasses,
mas que afastasses,
um poucochinho,
do meu caminho,
um tal fulgor.
De medo, amor,
que me cegasse,
me deslumbrasse
fulgor assim.
Ângelo de Lima
segunda-feira, novembro 29, 2010
Reflexões... Eugénio de Andrade
Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.
Eugénio de Andrade
sábado, novembro 27, 2010
Brilliant Trees
Brilliant Trees
When you come to me
I'll question myself again
Is this grip on life still my own
When every step I take
Leads me so far away
Every thought should bring me closer home
And there you stand
Making my life possible
Raise my hands up to heaven
But only you could know
My whole world stands in front of me
By the look in your eyes
By the look in your eyes
My whole life stretches in front of me
Reaching up like a flower
Leading my life back to the soil
Every plan I've made's
Lost in the scheme of things
Within each lesson lies the price to learn
A reason to believe
Divorces itself from me
Every hope I hold lies in my arms
And there you stand
Making my life possible
Raise my hands up to heaven
But only you could know
My whole world stands in front of me
By the look in your eyes
By the look in your eyes
My whole life stretches in front of me
Reaching up like a flower
Leading my life back to the soil
David Sylvian
sexta-feira, novembro 26, 2010
Faz-me o favor...
Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.
É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és nao vem à flor
Das caras e dos dias.
Tu és melhor -- muito melhor!
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.
Mário Cesariny
Poema
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
Mário Cesariny
sexta-feira, novembro 19, 2010
quarta-feira, novembro 17, 2010
Flor da liberdade
Sombra dos mortos, maldição dos vivos.
Também nós… Também nós… E o sol recua.
Apenas o teu rosto continua
A sorrir como dantes,
Liberdade!
Liberdade do homem sobre a terra,
Ou debaixo da terra.
Liberdade!
O não inconformado que se diz
A Deus, à tirania, à eternidade.
Sepultos insepultos,
Vivos amortalhados,
Passados e presentes cidadãos:
Temos nas nossas mãos
O terrível poder de recusar!
E essa flor que nunca desespera
No jardim da perpétua primavera.
In Orfeu Rebelde
Miguel Torga
terça-feira, novembro 16, 2010
A inegualável
©Violeta Niebla
Ai, como eu te queria toda de violetas
E flébil de cetim...
Teus dedos longos, de marfim,
Que os sombreassem jóias pretas...
E flébil de cetim...
Teus dedos longos, de marfim,
Que os sombreassem jóias pretas...
E tão febril e delicada
Que não pudesse dar um passo -
Sonhando estrelas, transtornada,
Com estampas de cor no regaço...
Que não pudesse dar um passo -
Sonhando estrelas, transtornada,
Com estampas de cor no regaço...
Queria-te nua e friorenta,
Aconchegando-te em zibelinas -
Sonolenta,
Ruiva de éteres e morfinas...
Aconchegando-te em zibelinas -
Sonolenta,
Ruiva de éteres e morfinas...
Ah! que as tuas nostalgias fossem guizos de prata -
Teus frenesis, lantejoulas;
E os ócios em que estiolas,
Luar que se desbarata...
Teus frenesis, lantejoulas;
E os ócios em que estiolas,
Luar que se desbarata...
……………………………………………………………………………………
…………………………………………………………………………………..
Teus beijos, queria-os de tule,
Transparecendo carmim -
Os teus espasmos, de seda...
Transparecendo carmim -
Os teus espasmos, de seda...
— Água fria e clara numa noite azul,
Água, devia ser o teu amor por mim...
Água, devia ser o teu amor por mim...
Lisboa, 16 de fevereiro de 1915
Mário de Sá-Carneiro
in 'Indícios de Oiro'
in 'Indícios de Oiro'
segunda-feira, novembro 15, 2010
Memorial de um corpo
Entras no meu sono
como um dia de água.
Minhas mãos procuram
os teus ramos lentos.
Nos teus lábios mordo
a raiz do lume.
Entre as tuas pernas
quebram minhas ondas.
No teu tronco breve
rebentam os gomos.
Cresces para a luz
dentro do meu sono.
Eugénio de Andrade
In Obscuro Domínio
[I - BUSCO A BELEZA NA FORMA;]
— Busco a beleza na forma;
E jamais
Na beleza da intenção
A beleza que perdura.
Só porque o bronze é de boa qualidade
Não se deve
Consagrar uma escultura.
António Botto
In Pequenas Esculturas
As Canções de António Botto - Primeiro volume das obras completas
quinta-feira, novembro 11, 2010
Co-dependência
Quando uma pessoa independente suporta e incentiva a dependência do outro.
Muitas vezes, pensamos que somos a melhor pessoa do mundo porque agradamos aos outros e não a nós mesmos. Interrompemos nossas atividades para atender ao chamado alheio. Fazemos sempre mais do que os outros nos pedem, e, habilidosamente, antecipamos seus desejos e abrimos mão dos nossos com extrema facilidade. Depois, ficamos chateados quando os outros não fazem o mesmo por nós!
Atenção, se você se identificou com esta curta situação, leia com atenção este texto, pois você pode estar sendo um co-dependente: alguém que acredita ser responsável pela felicidade alheia, mas que pouco cuida da sua...
Semana passada, refletimos sobre a dependência sadia; agora, iremos pensar sobre quando a dependência se torna um fato negativo, isto é, quando uma pessoa independente suporta e incentiva a dependência do outro.
Não é simples perceber que estamos fazendo este papel de salvador, pois os co-dependentes têm muita dificuldade de conhecer seus sentimentos: estão habituados a se sacrificar pelos outros e nem se dão conta de que, em vez de controlar a sua própria vida, dedicam todo o seu tempo a controlar a vida dos outros.
Como co-dependentes, dizemos sim, mas na realidade queremos dizer não; fazemos coisas que não queremos realmente fazer, ou fazemos o que cabia aos outros fazer.
Uma atitude co-dependente pode parecer positiva, paciente e generosa, pois está baseada na melhor das intenções, mas, na realidade, é inadequada, exagerada e intrusa. A questão é que os co-dependentes estão viciados na vida alheia e não sabem mais viver a sua própria. Adoram dar, mas detestam receber, seja atenção, carinho ou ajuda. Desta forma, quanto mais se dedicam aos outros, menos autoconfiança possuem. Afinal, desconhecem os seus próprios limites e necessidades!
A co-dependência se inicia quando uma pessoa, numa relação comprometida com um dependente, tenta controlar seu comportamento na esperança de ajudá-lo. Como conseqüência dessa busca mal sucedida de controle das atitudes do próximo, a pessoa acaba perdendo o domínio sobre seu próprio comportamento e vida.
Em outras palavras, se ao nos dedicarmos aos outros estivermos nos abandonando, mais à frente teremos de nos confrontar com as conseqüências de nossa atitude ignorante.
Reconhecer nossos limites e necessidades é tão saudável quanto a motivação de querer superá-los.
Sentir a dor do outro não quer dizer ter que repará-la. Este é nosso grande desafio: sentir a dor com o intuito simplesmente de nos aproximarmos dela, em vez de querer transformá-la de modo imediato.
É preciso deixar claro que ter empatia não tem nada a ver com a necessidade compulsiva de realizar os desejos alheios, própria dos relacionamentos co-dependentes.
Stephen Levine, em Acolhendo a pessoa amada (Ed. Mandarin), nos dá uma boa dica para identificarmos se nossos relacionamentos são saudáveis ou não: Na co-dependência, as balanças sempre pendem para um lado. É freqüente que um tenha de estar ‘por baixo’ para que o outro se sinta ‘por cima’. Não há equilíbrio, somente a temida gravidade. Em um relacionamento equilibrado não há um ‘outro dominante’; os papéis estão em constante mudança. Quem tiver o apoio mais estável sustentará a escalada naquele dia.
A troca equilibrada entre ceder e requisitar, dar e receber afeto e atenção nos aproxima de modo saudável das pessoas que nos cercam sem corrermos o risco de criar vínculos destrutivos. Assim como esclarece John Welwood, Em busca de uma psicologia do despertar (Ed.Rocco): O paradoxo do relacionamento é que ele nos obriga a sermos nós mesmos, expressando sem hesitação e assumindo uma posição. Ao mesmo tempo, exige que abandonemos todas as posições fixas, bem como nosso apego a elas. O desapego em um relacionamento não significa que não tenhamos necessidades ou que não prestemos atenção a elas. Se ignoramos ou negamos nossas necessidades, cortamos uma parte importante de nós mesmos e teremos menos a oferecer ao parceiro. O desapego em seu melhor sentido significa não se identificar com as carências nem com as preferências e aversões. Reconhecemos sua existência, mas permanecemos em contato com nosso eu maior, onde as necessidades não nos dominam. A partir desta perspectiva, podemos escolher afirmar nosso desejo ou abandoná-lo, de acordo com as necessidades do momento.
A empatia começa com a capacidade de estarmos bem conosco mesmos, de reconhecermos o que não gostamos em nós e admirarmos nossas qualidades. Quanto melhor tivermos sido compreendidos em nossas necessidades e sentimentos quando éramos crianças, melhor saberemos reconhecê-las quando adultos.
Entrar em contato com os próprios sentimentos é a base para desenvolver a empatia. Como alguém que desconhece suas próprias necessidades poderá entender as necessidades alheias?
Se você quiser ler mais sobre a co-dependência, leia o livro: Co-dependência nunca mais de Melody Beattie (Ed. Record). Abaixo, seguem alguns itens que, segundo a autora, os co-dependentes adoram fazer:
- Considerar-se e sentir-se responsável por outra(s) pessoas(s) – pelos sentimentos, pensamentos, ações, escolhas, desejos, necessidades, bem-estar, falta de bem-estar e até pelo destino dessa(s) pessoa(s).
- Sentir ansiedade, pena e culpa quando a outra pessoa tem um problema.
- Sentir-se compelido – quase forçado – a ajudar aquela pessoa a resolver o problema, seja dando conselhos que não foram pedidos, oferecendo uma série de sugestões ou equilibrando emoções.
- Ter raiva quando sua ajuda não é eficiente.
- Comprometer-se demais.
- Culpar outras pessoas pela situação em que ele mesmo está.
- Dizer que outras pessoas fazem com que se sinta da maneira que se sente.
- Achar que a outra pessoa o está levando à loucura.
- Sentir raiva, sentir-se vítima, achar que está sendo usado e que não senta sendo apreciado.
- Achar que não é bom o bastante.
- Contentar-se apenas em ser necessário a outros.
BEL CESAR
quarta-feira, novembro 10, 2010
Por que aceitamos que alguém nos trate mal?
Certa vez, disse a Lama Gangchen Rinpoche: Desta vez quero olhar para a negatividade de frente. Não vou negá-la. Ele, então, me respondeu: Olhar é bom, mas não a toque. É como quando você assiste ao noticiário na TV. Você vê a negatividade, mas não deixa que ela entre na sua casa. Você pode encarar a negatividade de frente, mas não deixe que ela entre na sua mente.
A maior parte das mensagens de nossa sociedade contém idéias destrutivas e negativas. Basta ligar a TV em qualquer noticiário para nos lembrarmos do quanto o mundo é perigoso. Na tentativa de tentarmos nos proteger das ameaças cotidianas, vamos nos tornando acuados ou até mesmo igualmente perversos ao ambiente hostil que frequentamos. Manter a mente limpa é um desafio que requer reflexão constante para não deixar as informações ou pontos de vista negativos de outras pessoas influenciarem nossa mente.
Lama Gangchen Rinpoche nos alerta: Não devemos seguir professores negativos ou comprar informações negativas no supermercado dos pensamentos. Em outras palavras, Marie France Hirigoyen, autora do livro Assédio Moral (Ed. Bertrand Brasil) nos diria para reconhecermos as características dos comportamentos perversos para não nos deixar levar por eles.
No entanto, não é tão simples nem fácil reconhecer um comportamento perverso. Marie France esclarece: Pequenos atos perversos são tão corriqueiros que parecem normais. Começam com uma simples falta de respeito, uma mentira ou uma manipulação. Não achamos isso insuportável, a menos que sejamos diretamente atingidos. Se o grupo social em que tais condutas aparecem não se manifesta, elas se transformam progressivamente em condutas perversas ostensivas, que têm consequências graves sobre a saúde psicológica das vítimas. Não tendo certeza de serem compreendidas, estas se calam e sofrem em silêncio. Uma vez em que aprendemos a olhar os maus tratos como algo aparentemente normal, e, portanto, teoricamente aceitável, nem pensamos que seja possível e saudável nos desvencilharmos destes maus tratos!
Afinal, por que aceitamos que alguém nos trate mal? Porque duvidamos de nossa própria sanidade mental. Neste sentido, saber de si, quer dizer, conhecer nossos potenciais, recursos e limitações é a base de nossa segurança interna.
Todos nós já sabemos que vivemos num mundo hostil, mas é preciso saber como não cair nas armadilhas da hostilidade alheia. Precisamos nos encorajar o tempo todo a não seguir a negatividade, especialmente se estivermos cercados dela. Assim como escreve Lama Gangchen Rinpoche, em seu livro Ngelso Autocura Tântrica III (Ed Gaia): a única mensagem que recebemos dos outros é: ‘Não me incomode’. Por isso, precisamos ter um forte refúgio interior, impenetrável às influências alheias.
Para melhor responder à questão por que aceitamos que alguém nos trate mal?, vamos conhecer as artimanhas do comportamento de quem nos trata mal. Uma característica comum a todo comportamento perverso é impedir o outro de pensar, para que ele não tome consciência do seu processo de dominância – ele cria fragilidade a fim de impedir que o outro possa se defender.
Marie France Hirigoyen esclarece: Entre casais, o movimento perverso instala-se quando o afetivo falha ou, então, quando existe uma proximidade excessivamente grande com o objeto amado. Excesso de proximidade pode dar medo e, exatamente por isso, o que vai ser objeto da maior violência é o que há de mais íntimo. Um indivíduo narcisista impõe seu domínio para controlar o outro, pois teme que, se o outro estiver demasiadamente próximo, possa vir a invadi-lo. Trata-se, portanto, de mantê-lo em uma relação de dependência, ou mesmo de propriedade, para comprovar a própria onipotência. O parceiro, mergulhado na dúvida e na culpa, não consegue reagir.
Por isso, aqui vai o primeiro conselho para impedir que alguém lhe faça mal: Não aceite críticas unilaterais. Ninguém é totalmente responsável por uma situação-problema. Portanto, não assuma a ‘culpa’ toda para si crendo que desta forma poderia aliviar a tensão presente.
Nestes momentos, nos ajuda lembrar que a origem do comportamento perverso está justamente no fato da pessoa não querer assumir a responsabilidade por seus atos. Portanto, ao assumir o que cabe ao outro, estamos nutrindo o seu comportamento hostil.
Outra artimanha do comportamento perverso consiste em recusar uma comunicação direta. Marie France Hirigoyen alerta: O parceiro vê-se obrigado a fazer as perguntas e dar as respostas e, caminhando a descoberto, evidentemente comete erros que são captados pelo agressor para enfatizar a nulidade da vítima. Portanto, se você percebe que anda falando sozinho num relacionamento a dois, está na hora de parar e perguntar-se se vale a pena ajustar-se a tal comportamento. Pois ele é autodestrutivo.
A esta altura, já entendemos que quem nos trata mal não está receptivo a conversar, pois isso significaria o fim do conflito, o que o impediria de extravasar a sua agressão. Portanto, é importante levarmos em conta os custos e benefícios de tal relacionamento. Neste sentido, ao invés de lamentarmos Me solta!, podemos nos dizer: Eu te solto!. Para tanto, teremos que nos tornar conscientes tanto de nossas limitações quanto de nossos recursos para, passo a passo, nos soltarmos da crença de que estamos presos a uma posição sem saída. Ainda que os outros nos tratem mal, podemos nos tratar bem!
Na medida em que cultivamos uma certeza interna inabalável de não querermos mais nos envolvermos em relacionamentos destrutivos, desenvolvemos amor e gentileza - uma energia positiva interior impede que nossos inimigos ou seres malignos nos causem mal, pois precisariam apoiar-se em alguma negatividade nossa para isso.
Assim como aconselha Lama Gangchen Rinpoche; A coisa mais importante do mundo é nunca abandonar nosso coração acolhedor, mesmo diante de uma ameaça de morte, pois esse é o nosso verdadeiro e eterno amigo
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