"eu vou mostrando como sou e vou sendo como posso..." como diriam os Novos Baianos
terça-feira, fevereiro 18, 2014
segunda-feira, fevereiro 10, 2014
segunda-feira, dezembro 02, 2013
David Steindl-Rast: Want to be happy? Be grateful
http://on.ted.com/gratefulness
The one thing all humans have in common is that each of us wants to be happy, says Brother David Steindl-Rast, a monk and interfaith scholar. And happiness, he suggests, is born from gratitude. An inspiring lesson in slowing down, looking where you’re going, and above all, being grateful.
Brother David Steindl-Rast, a Benedictine monk, meditates and writes on "the gentle power" of gratefulness.
The one thing all humans have in common is that each of us wants to be happy, says Brother David Steindl-Rast, a monk and interfaith scholar. And happiness, he suggests, is born from gratitude. An inspiring lesson in slowing down, looking where you’re going, and above all, being grateful.
Brother David Steindl-Rast, a Benedictine monk, meditates and writes on "the gentle power" of gratefulness.
quarta-feira, agosto 21, 2013
quarta-feira, julho 31, 2013
terça-feira, julho 30, 2013
segunda-feira, julho 15, 2013
quarta-feira, fevereiro 06, 2013
segunda-feira, janeiro 28, 2013
Gil Scott Heron - Your Daddy Loves You (with lyrics)
Now sweet lil ol' brown eyed girl, hey, now
Now that you're sleepin'
I've got a confession to make
Of secrets that I've been keepin'
Me and your mama had some problems,
A whole lotta things on our minds
But lately, girl, we've been thinkin' that we were wastin' time
Nearly all the time, and
Your daddy loves you
Your daddy loves his girl
Your daddy loves you
Your daddy loves his girl, hey now
Now sweet lil ol' chocolate girl
Now that you're sleepin' I feel braver
I've got a confession to make
I'll sneak it in while you're dreamin'
Me and your mama had some troubles
There's been a whole lotta things on our minds
But lately when we look at you, we know that we've been wastin' time
Damn near all the time, and
Your daddy loves you
Your daddy loves his girl, hey, now
Said your daddy loves you
Said your daddy loves his girl, hey, now
Your daddy loves you, and your mama, too
Your daddy loves his girl
Loves his girl
Loves his girl
segunda-feira, janeiro 07, 2013
Elegiazinha
Gatos não morrem de verdade:
eles apenas se reintegram
no ronronar da eternidade.
Gatos jamais morrem de fato:
suas almas saem de fininho
atrás de alguma alma de rato.
Gatos não morrem: sua fictícia
morte não passa de uma forma
mais refinada de preguiça.
Gatos não morrem: rumo a um nível
mais alto é que eles, galho a galho,
sobem numa árvore invisível.
Gatos não morrem: mais preciso
- se somem - é dizer que foram
rasgar sofás no paraíso
e dormirão lá, depois do ônus
de sete bem vividas vidas,
seus sete merecidos sonos.
Nelson Ascher
Um amor depois de outro
Virá o tempo
em que, exultante,
hás de saudar-te ao chegar
à tua própria porta, em teu espelho,
e cada um sorrirá à saudação do outro,
e dirás, senta aqui. Come.
Amarás novamente o estranho que tu eras.
Oferece vinho. Dá pão. E tua cabeça de volta
a si mesma, ao estranho que toda vida
te amou, que, por causa de outrem,
desconsideras, e que te conhece de cor.
Retira as cartas de amor da estante,
as fotografias, as anotações desesperadas,
descasca tua imagem do espelho.
Senta-te. Refestela-te com tua vida.
Derek Walcott
sábado, janeiro 05, 2013
Oh Inferno
Limpar as nevascas da primavera
Dos excrementos dos nossos ancestrais
E enterrar os arquivos inconscientes
Sob simples flores
Além disso
Nossa pessoa é uma entrada coberta para infinidade
Sufocada com fiapos da tradição
Deusas e Jovens Deuses
Acariciam a santidade da Adolescência
Nos raios do sol.
Mina Loy
sexta-feira, janeiro 04, 2013
Encontro
Pic by Gatumudo
Ele não apareceu.
Talvez tenha adoecido ou ficado debaixo de
um eléctrico. Talvez outra pessoa se pusesse na conversa com ele.
Talvez se tenha esquecido do relógio,
ou o relógio se tenha esquecido de lhe dar o tempo certo.
Talvez o carro não pegasse,
ou tenha ficado avariado a meio do caminho.
Talvez alguém lhe telefonasse quando ia a sair de casa,
dizendo-lhe que tinha de ir a um funeral
ou que a mãe dele tinha morrido.
Talvez tenha encontrado um antigo conhecido.
Talvez tenha tido uma discussão no emprego,
tenha sido despedido e esteja a esconder
a cabeça debaixo de uma almofada.
Talvez a ponte estivesse fechada e
a seguinte também.
Talvez o semáforo permanecesse vermelho.
Talvez o multibanco tenha engolido o cartão
ou a meio do caminho tenha reparado que se esquecera
do porta-moedas.
Talvez tenha perdido os óculos,
não conseguisse deixar de ler,
houvesse um programa que ele queria acabar de ver,
não conseguisse dar a volta à fechadura da porta,
não encontrasse as chaves em sítio nenhum e
o cão dele de repente começasse a vomitar.
Talvez não houvesse um telefone por perto,
não encontrasse o restaurante
ou esteja à espera noutro sítio, por engano.
Talvez – a última possibilidade,
incompreensível e inesperada –
ele tenha deixado de me amar.
in Genoeg gedicht over de liefde vandaag (Por hoje, chega de poesia sobre o amor), 1999
HAGAR PEETERS (Amesterdão, 1972), tornou-se conhecida do público holandês no Double-Talk Festival em 1997. A poesia de Hagar Peeters caracteriza-se pelo seu laconismo, uma pontinha de ironia e a combinação de abordar temas pesados com uma certa ligeireza. Os temas são diversos mas a grande maioria dos seus poemas concentra-se no amor e na inevitabilidade do seu fim.
quinta-feira, janeiro 03, 2013
Recomeçar
Recomeça….
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…
Miguel Torga
Pic by Gatumudo
sexta-feira, outubro 19, 2012
It's allright, ma...
Está tudo bem,
mãe,
estou só a
esvair-me em sangue,
o sangue vai e
vem,
tenho muito
sangue.
Não tenho é
paciência,
nem tempo que
baste
(nem espaço),
deixaste-me
pouco espaço para
tanta existência.
Lembranças a
menos
faziam-me bem,
e esquecimento
também
e sangue e água a
menos.
Teria cicatrizado
a ferida do lado,
e eu ressuscitado
pelo lado de
dentro.
Que é o lado
por onde estou
pregado,
sem mandamento
e sem sofrimento.
Nas tuas mãos
entrego o meu
espírito,
seja feita a tua
vontade,
e por aí adiante.
Que não se
perturbe
nem intimide
o teu coração,
estou só a morrer
em vão.
Manuel António
Pina
quinta-feira, outubro 04, 2012
De Costas para a Janela
Uma cerveja, por favor
Eu podia habituar-me a ser uma pessoa
arrumada. Aqui chega ao fim um dia calmo
todo o dia o telefone esteve calado, e em silêncio quase rebenta
o cesto da roupa debaixo do lavatório.
No écran explode uma casa perante a cara
espantada do locutor. Oh the fucking news!
O que eu quero é sobretudo amor. Não quero
preocupar-me com a marca das minhas cuecas, das minhas meias
que me oferecem pelo Natal, nos meus anos,
pela Páscoa e no dia em que morrer. Em criança pedia
um comboio e recebia uma camisa
coisa prática! embrulhada em celofane, presa com mil alfinetes.
Este poema não é praticamente nada. Mas pensa bem:
Como há-de desaparecer o que nós não derrubamos, a não ser o sabonete
na água do banho? Estou outra vez a fazer humor, embora não
me sinta voltado para aí. Terei mesmo
de lavar a cabeça antes de tu chegares? Lavar a cabeça
é uma recordação terrível...
E depois, amo toda a família, especialmente a minha mulher
que não é da família. Como? Eu não disse nada.
Acabou o noticiário do dia, o dia em noticias, the fucking
news. Hoje houve boas notícias. A Casa da América
foi ocupada, não digo onde. Começa o filme
e ainda não lavei a cabeça!
Tu não és a minha mulher. Amo-te. Protege-me
que estou a fumar demais! Fica-se nervoso nesta casa
depois de 1933 e depois de 1945. Estás a ligar alguma coisa ao que eu digo?
De repente encontro-me num café, com grande barulheira
ao balcão. Este poema está cheio de potencialidades
como a nossa vida. Evidentemente que não se passa um dia
sem álcool. Ah, a bebida é que dá gosto à vida.
Mehdi já lá está, bêbado como um cacho. Também tu já chegaste há
um bocado, e tens razões para não falar comigo.
Vai alta a noite, a música está alta. Peço uma aguardente clara
para a minha cabeça ainda clara. Uma cerveja, por favor. Seja o que for
que tu penses de mim, é importante que eu te diga: também tu
escreveste este poema. Não foi arte nenhuma; foi escrito
de costas para a janela.
Jorgen Theobaldy, 1981
A paixão da matemática
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base…
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.
Até que se encontraram
No Infinito.
“Quem és tu?” indagou ele
Com ânsia radical.
“Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa.”
E de falarem descobriram que eram
O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs
Primos entre si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas senoidais.
Escandalizaram os ortodoxos
das fórmulas euclideanas
E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas
e pitagóricas.
E, enfim, resolveram-se casar
Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.
Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e
diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.
E se casaram e tiveram
uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até aquele dia
Em que tudo, afinal,
Vira monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum…
Freqüentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo.
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
Tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era a fração
Mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu
Relatividade.
E tudo que era expúrio passou a ser
Moralidade
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base…
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.
Até que se encontraram
No Infinito.
“Quem és tu?” indagou ele
Com ânsia radical.
“Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa.”
E de falarem descobriram que eram
O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs
Primos entre si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas senoidais.
Escandalizaram os ortodoxos
das fórmulas euclideanas
E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas
e pitagóricas.
E, enfim, resolveram-se casar
Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.
Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e
diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.
E se casaram e tiveram
uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até aquele dia
Em que tudo, afinal,
Vira monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum…
Freqüentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo.
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
Tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era a fração
Mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu
Relatividade.
E tudo que era expúrio passou a ser
Moralidade
Como aliás, em qualquer
Sociedade.
Sociedade.
Millor Fernandes
Pic by Kiko
segunda-feira, agosto 27, 2012
Alma inquietante
Apazigua ó alma inquietante,
realça a beleza do ser que habitas.
Não chores a memória dos mortos
mas a vergonha dos vivos.
Sonho habitar nas entrelinhas
do teu ser,
não te deixes morrer
antes que vivas verdadeiramente.
Descrente.
Não culpes a tua mente
mas o ser doente
que habita em ti.
Olharás para o céu e
não haverá mais véu,
apenas o réu
lançado e massacrado
por ti julgado
Poema de Andreia Luz
Fotografia de António Matos
terça-feira, julho 31, 2012
LUGAR DE CULTO
Vagueio num lugar
Iluminado e mágico
Da cor dos sentidos
Onde o céu e a terra
Se unem para guardar
Paraísos perdidos...
É a energia da natureza
A hipnotizar as cegonhas
Num castelo de nevoeiro
Areia branca e fina
Aos pés de um sonho,
Num planeta inteiro...
Falésia que se encosta
Nas costas de um oceano
A espreguiçar o momento
Fonte de água doce
E segredos guardados
Pela chave do tempo....
Poema: Elsa Pacheco
Foto: Ansel Adams
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